sobre voltar mais uma vez

Tô pensando há dias num tema bacana para voltar a escrever nesse meu caderninho virtual. Rascunhei mentalmente um milhão de vezes, fiz parágrafos inteiros enquanto tomava banho. Aí a rotina da casa me engolia, o Davi me consumia, o trabalho sucumbia, e eu nada de colocar no papel as minhas ideias. Não veio um tema impactante para um recomeço mas cansei de me sabotar. Minha alma suplica, minhas mãos pedem, minha cabeça implora. Escrever é das coisas que sei fazer melhor na vida. Escrevo e me entendo. Então vambora, né?

Na falta de um assunto contextualizado para um retorno, vamos falar de Davi. Não sou especialista em maternidade (alguém é?) mas gosto de dividir nossos lemas e dilemas. Verdade seja dita, tem bem mais dilema do que lema. Cada dia mais sei que nada sei. Há anos que a minha maternagem é intuitiva. Tenho um norte mas vivo tonteando entre o sul, o leste e o oeste. De toda forma, parece que tá funcionando. Por enquanto.

Davi é a bagunça da minha vida, minha alegria, minha tristeza, meu ar, meu sofá. O caos que disciplina, o desequilíbrio que equilibra. Tá numa fase bacana, de questionamentos sensatos, de conversas horizontais, de se fazer respeitar de forma assertiva. Tem recaídas e é isso que espero dele. Agora mesmo foi pra escola chorando lágrimas de sangue porque exigiu uma pasta de dente de adulto. E tinha que ser naquele exato momento. Paciência, filho, nem tudo dá pra ser aqui e agora. No geral, os conflitos tem se resolvido de forma mais leve pra todo mundo.

Entra ano e sai ano e eu continuo nas minhas incertezas. Qual a melhor rotina? Coloco no curso de inglês? Alguma atividade extra além da escola? Como ajudá-lo a não perder o controle? Algum dia vou ter certeza? Talvez não. Que a minha alma controladora veja na incerteza o lado bom do viver.

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