sobre voltar mais uma vez

Tô pensando há dias num tema bacana para voltar a escrever nesse meu caderninho virtual. Rascunhei mentalmente um milhão de vezes, fiz parágrafos inteiros enquanto tomava banho. Aí a rotina da casa me engolia, o Davi me consumia, o trabalho sucumbia, e eu nada de colocar no papel as minhas ideias. Não veio um tema impactante para um recomeço mas cansei de me sabotar. Minha alma suplica, minhas mãos pedem, minha cabeça implora. Escrever é das coisas que sei fazer melhor na vida. Escrevo e me entendo. Então vambora, né?

Na falta de um assunto contextualizado para um retorno, vamos falar de Davi. Não sou especialista em maternidade (alguém é?) mas gosto de dividir nossos lemas e dilemas. Verdade seja dita, tem bem mais dilema do que lema. Cada dia mais sei que nada sei. Há anos que a minha maternagem é intuitiva. Tenho um norte mas vivo tonteando entre o sul, o leste e o oeste. De toda forma, parece que tá funcionando. Por enquanto.

Davi é a bagunça da minha vida, minha alegria, minha tristeza, meu ar, meu sofá. O caos que disciplina, o desequilíbrio que equilibra. Tá numa fase bacana, de questionamentos sensatos, de conversas horizontais, de se fazer respeitar de forma assertiva. Tem recaídas e é isso que espero dele. Agora mesmo foi pra escola chorando lágrimas de sangue porque exigiu uma pasta de dente de adulto. E tinha que ser naquele exato momento. Paciência, filho, nem tudo dá pra ser aqui e agora. No geral, os conflitos tem se resolvido de forma mais leve pra todo mundo.

Entra ano e sai ano e eu continuo nas minhas incertezas. Qual a melhor rotina? Coloco no curso de inglês? Alguma atividade extra além da escola? Como ajudá-lo a não perder o controle? Algum dia vou ter certeza? Talvez não. Que a minha alma controladora veja na incerteza o lado bom do viver.

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moana

Uma amiga de facebook viu Moana ano passado na Europa e fez post elogiando o fato da Disney, aquela empresa que vende sonhos de princesas, lançar filme cuja protagonista é uma heroína. Li e comentei o que sempre falo aqui em casa: eu acredito num futuro mais igual para a geração do Davi. Tá bom, eu também tenho dúvidas disso quando vejo maiô com enchimento no peito para meninas de 5 anos. Mas, quando olho o processo como um todo, quando vejo a indústria alimentícia produzir alimentos sem açúcar, quando vejo a Disney lançar filme cujo o enredo coloca uma mulher em posição de destaque, bravura e empoderamento, eu abraço a esperança, coloco ela no coração e acredito. Ainda temos chance.

Vamos falar do filme. É lindo, gente! A beleza de uma ilha na Polinésia, a riqueza do mar, a grandiosidade das transmutações do céu em seus vai e vem de sol e lua. Coisa mais linda a natureza retratada numa animação de alto nível, que beira ao real. Muita cor, trilha sonora afeto puro para os ouvidos, uma história linda de conexão entre humanos e natureza. Moana é a filha do chefe da tribo e foi escolhida pelo Oceano para desfazer um feitiço de séculos e salvar a ilha. Com o apoio da sua vó, uma matriarca cheia de graça e com o empoderamento que eu desejo para todas as mulheres desse mundo, se enche de coragem e se joga no mar para cumprir a sua missão.

O Davi curtiu o filme apesar de sentir medo em alguns momentos e logo se chegar no meu colinho. Como é aí com vcs? Aqui vamos muito ao cinema mas o pequeno ainda tem dificuldades com momentos de conflito seguidos de músicas impactantes. Corre pro colo, pede para tapar os olhos e pergunta se já está acabando. Se for muito assustador, pede até para ir embora. Nada que a gente não consiga contornar e ver até os créditos subirem. Um hora esse “medo mais medonho”, como ele mesmo diz, passa! Ou ele aprende a controlá-lo na sua própria poltrona. Enquanto isso, o colinho da mamãe está à disposição.

No fim das contas o que importa mesmo é que a mensagem fica guardada no coração. Que o Davi sempre lembre que somos todos iguais e que mulheres podem sim assumir papéis de força e coragem na vida. Que podem liderar tribos, enfrentar oceanos, trabalhar com o que quiserem, usar a roupa que bem entenderem. Que ele as respeite, as admire e as encoraje, com um olhar cheio de empatia e uma palavra de incentivo. Lugar de mulher é onde ela quiser, filho.