Ele tinha um mês e meio no seu primeiro carnaval. Eu era a mãe que no calor-quarenta-graus-hell-de-janeiro passou Natal, Reveillon e todo tão amado verão sem chegar nem no calçadão para uma água de côco. À beira do surto, no domingo de Carnaval, propus ao marido:

– Tem um bloco de crianças aqui perto. Vamos?

O marido, companheiro de enclausuramento, topou. Colocamos fantasia no recém chegado e partimos. Era meio dia quando demos as caras. Cheguei com ele agarrado num peito, saí com ele agarrado no outro. Ficamos ali mais ou menos uma hora, uma hora e pouquinho. Seguimos o bloco perseguindo as sombras, cantando marchinhas, sambando ainda que tímidos. Nos revezamos em responder o tanto de curiosos que se aproximava para dizer: “Que bonitinho MAS QUANTOS MESES ELE TEM?” Aprendi bem rápido a relevar o mundo no pós maternidade. Voltei pra casa de alma lavada. O Carnaval ainda estava dentro de mim.

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Depois desse, estivemos em todos os outros Carnavais. Com ele, sempre. Já foi Axl Baby, Cowboy, Peter Pan, Chaves, Palhaço, Super Homem. Já gostou, já odiou, já pediu pra ir embora

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Filho, Carnaval é alegria, lembra? Centenas de pessoas reunidas para celebrar a vida, para cantar sem vergonha de ser feliz. Gente que abraça o desconhecido, que acorda seis da manhã para ver o cortejo mais incrível passar, que se oferece para ajudar o outro em apuros, que joga água para amenizar o calor dos foliões. Que se fantasia para viver o lúdico, que se liberta, que se emociona com pernas de paus, baianas, esculturas vivas, todos juntos para fazer um desfile impecável. Que se joga de cabeça na tarefa fazer desse o melhor Carnaval de todos.

Se eu ainda tinha dúvidas, agora não tenho mais. Finalmente ele se entregou. Entendeu o espírito do que é fazer parte dessa festa coletiva mais linda de todas. Aproveitou como se não houvesse amanhã o espaço público livre e seguro. E tocou sua amada flauta com a seriedade de um músico numa orquestra de verdade. Com ritmo, com jeito pra coisa e o principal, com a alegria de um folião.

Que a nossa fantasia seja eterna. Que viver seja festejar. Que o Carnaval não tenha fim.

davisapo

 

 

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