Disse o pai que na madrugada ouviu passos em direção ao banheiro e foi lá conferir. Era o Davi, fazendo xixi, sozinho. De longe observou o loiro voltar para a própria cama e dormir de novo. E me acordou de madrugada mesmo para contar. Porque a gente sabe o quanto foi difícil o desfralde pra todos.

O xixi escapuliu incontáveis vezes. Tiramos a fralda noturna. Voltamos com a fralda noturna. Tentamos mais uma vez. Xixi na cama dia sim, dia não. Mesmo que a gente colocasse ele todos os dias dormindo para esvaziar a bexiga, o xixi dava um jeito de nos driblar.

Eu meio que entrei em parafuso. Tinha ido tão bem no desmame e no rompimento com chupeta e mamadeira. A pulga que atende pelo nome de culpa grudou atrás da orelha. Nas decisões unilaterais, que não dependiam dele, tudo ia bem. Mas e o tempo dele? Será que estava sendo respeitado?

Escorrega pra lá, escorrega pra cá, pede ajuda aos universitários para voltar aos eixos. O xixi já estava dominado faz tempo mas os reflexos de todo entorno nem tanto. Respira. Não pira. Vai dar certo. Só uma ajeitadinha aqui e ali. Até que ele acorda, levanta, vai até o banheiro, faz xixi e volta a dormir sozinho. Pela primeira vez. Sozinho. Autonomia. Alívio.

Parece pouco mas é muito. Eu sei que tudo passa. Eu não quero só ver passar. Quero observar, questionar, dialogar. Com leveza, eu sei. Mas com atenção. Se eu perder o avião, que consiga lugar no próximo voô. Cancelar a viagem, jamais.

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